quinta-feira, 22 de abril de 2010

Caneta, papel, sensibilidade. E um computador com internet

Começo a escrever neste bloco de notas da rua. O curioso é que escrevo de casa. E talvez seja sempre assim. Não necessariamente escrevendo de casa. Mas sempre de algum lugar fechado. Fechado para a rua. De alguma sala, numa cadeira, em cima duma mesa, onde está o computador. Sim, este é um bloco de notas, mas virtual. Poderia levá-lo comigo, e parar para escrever sobre algum flagra do cotidiano ainda imerso no calor dos acontecimentos - fugindo para dentro de um boteco, de dentro do ônibus ou sentado na guia da calçada. Mas ainda não acho que um notebook seja o parceiro ideal nas voltas pelo mundaréu afora. Caneta, bloquinho de papel e sensibilidade é o que é preciso para encarar a rua.

Mas por que então este "notas da rua"? Porque, depois de observado, sentido e anotado, na volta para casa ou no claustro de uma lan house, a história que passou tem que virar a história que vai ser. Da memória e das anotações, a rua flui para o bloco de notas. Serão notas da rua, de observações, reflexões, testemunhos e filosofias de gentes, bichos e coisas das ruas das cidades por onde flano. Principalmente das ruas da cidade em que vivo, São Paulo.

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